Você realmente quer sair da sua zona de conforto?
Ou só gosta de falar sobre isso?
by Milena Coelho
Há uma frase que se repete com frequência no mundo corporativo: “precisamos sair da zona de conforto.” Ela aparece em apresentações de liderança, em descrições de vagas e nos incontáveis posts motivacionais que inundam o LinkedIn toda segunda-feira. A frase é forte. O problema é que, na maioria das vezes, ela fica apenas no discurso.
Entre falar sobre sair da zona de conforto e realmente criar um ambiente onde isso acontece existe um abismo. E poucas organizações estão dispostas a atravessá-lo.
Na wBrain, essa travessia faz parte da rotina.
Não porque alguém colocou isso como slogan na parede. Mas porque o próprio modelo de trabalho da empresa exige movimento constante, aprendizado contínuo e uma certa disposição para lidar com o desconhecido. Eu sei disso porque vivo esse processo na prática.
Quando entrei na wBrain, o desafio parecia claro: atuar como designer com um olhar também voltado para social media. Minha trajetória até então tinha sido construída principalmente como diretora de arte, dentro de um universo essencialmente visual e criativo, com limites relativamente bem definidos entre função, escopo, responsabilidade e muita hierarquia.
Mas ambientes vivos raramente permanecem estáticos.
Em poucos meses, aquilo que começou como design e social media foi ganhando outras camadas. Comunicação institucional, marketing, branding, presença digital e estratégia começaram a fazer parte do cotidiano. O escopo mudou. A complexidade aumentou. E, de repente, a pergunta que aparecia todos os dias era simples e direta: você está pronta para isso?
Não houve um manual detalhado para a transição. Nem um plano de adaptação cuidadosamente desenhado. Houve algo mais interessante: um ambiente que permite e, de certa forma, espera que as pessoas cresçam junto com as demandas que surgem.
Esse tipo de dinâmica tem muito a ver com a forma como a wBrain se organiza. A empresa opera com uma estrutura mais orgânica, menos hierárquica do que a maioria dos modelos tradicionais. À primeira vista, isso pode parecer apenas libertador. E de fato é, em muitos aspectos. Mas liberdade organizacional vem acompanhada de responsabilidade.
Sem várias camadas hierárquicas filtrando decisões ou delimitando territórios, cada pessoa precisa assumir protagonismo de forma genuína. Não existe necessariamente alguém dizendo exatamente qual caminho seguir. Muitas vezes, o caminho precisa ser construído coletivamente, ao longo do processo.
Isso exige maturidade profissional. Exige capacidade de diálogo. E, principalmente, exige disposição para lidar com situações que ainda não dominamos completamente.
É nesse ponto que a ideia de crescimento profissional começa a ganhar um significado mais concreto.
Muitas empresas falam sobre desenvolvimento de pessoas. Algumas oferecem treinamentos pontuais ou cursos esporádicos. Mas o crescimento profissional mais profundo raramente acontece em ambientes totalmente confortáveis. Ele aparece quando somos convidados (ou provocados) a lidar com responsabilidades que nos obrigam a expandir nossas habilidades.
Ao longo dos anos, essa expansão vai mudando não apenas o conjunto de competências técnicas, mas também a forma como enxergamos o trabalho. À medida que as habilidades evoluem do design para a comunicação, da comunicação para a estratégia, da estratégia para o diálogo com tecnologia e negócio, o olhar também se amplia.
Passamos a entender melhor as diferentes perspectivas dentro de um projeto. Começamos a enxergar problemas de maneira mais sistêmica. E, talvez mais importante, desenvolvemos mais sensibilidade para compreender o impacto das decisões nas pessoas ao redor: colegas, clientes, parceiros.
Hoje, depois de alguns anos de wBrain, ainda tenho muito a aprender. E isso não é uma fragilidade. Pelo contrário. É um sinal de que o ambiente continua funcionando como deveria.
Empresas que realmente investem no desenvolvimento das pessoas não são apenas aquelas que prometem crescimento em suas páginas de carreira. São aquelas que criam condições reais para que esse crescimento aconteça.
Condições que incluem autonomia, confiança, responsabilidade e, inevitavelmente, algum grau de desconforto.
Porque crescer, na prática, raramente é confortável.
Talvez por isso valha a pena voltar à pergunta inicial. Aquela que aparece com tanta frequência nos discursos sobre carreira:
Você realmente quer sair da sua zona de conforto ou apenas gosta da ideia de falar sobre isso?
Em muitos casos, a resposta depende menos da intenção individual e mais do ambiente em que estamos inseridos. Ambientes que desafiam, que permitem experimentar e que aceitam o aprendizado como parte natural do processo tendem a produzir profissionais mais preparados, mais conscientes e mais completos.
Na wBrain, esse movimento não acontece apenas nas metodologias, nos produtos ou nas estratégias da empresa. Ele acontece nas pessoas.
E talvez esse seja o indicador mais honesto de que, ali, a ideia de evolução não está apenas no discurso.